...Se você ficar aqui durante muito tempo, dê uma olhada numa parede branca mais tarde...

segunda-feira, 27 de abril de 2015

DIRAC 8

“A busca por culpados freqüentemente substitui a busca por soluções”.

“Em minha adolescência, procurei, antes de uma identidade, uma camuflagem”.

“A lógica é um engodo para o verme da dúvida enquanto a experiência o sacia com eficácia. Logo, por mais óbvio que fosse, era preciso sofrer para se ter certeza”.

“Todo homem calado traz uma guerra dentro de si”.

“A escrita é a solidão que eu escolhi”.

terça-feira, 31 de março de 2015

DIRAC 7

"Para alguns, nota-se o aprendizado quando se é capaz de ensinar. Para outros, quando aquilo é óbvio demais para precisar ser ensinado".

"Toda elite depende  de um paulatino fechar de olhos às semelhanças entre nós".

sábado, 28 de fevereiro de 2015

DIRAC 6

"Há uma diferença bem grande entre ser uma boa companhia e ser companheiro".

"O duplo mal de ser inventor: Se a sua ideia for boa, ela será copiada e melhorada. Se não for, é porque sua ideia é inútil".

sábado, 31 de janeiro de 2015

HAWKING

- Você era como um chafariz: Soltava informações para todos os lados e não havia quem o compreendesse - Disse um de meus mentores. - [...]. Escreva.

Nada escapava de mim, mas se perdia lá dentro. Esquecimento. Conheci o silêncio e, com ele, vieram a observação e fugas melhores que outras - um caçador hábil, mas da sua própria cauda, as águas revelavam um abismo maior que aquele sob elas (e entre eu e o mundo) por meio do que refletia quando eu as olhava ao delas beber.

Desde então, fui me tornando um buraco negro.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

AS ÚLTIMAS PÁGINAS

Uma curiosidade que talvez persista em você desde a infância enquanto a negligencia. A maioria de nós procurava por elas com avidez quando nos tempos de cheiro de margarina e joelho ralado os dedos tocavam um caderno que pertencia à outra pessoa (já que a professora apagou a parte da lousa que eu copiava; fiquei doente ou simplesmente acordei em cima da hora). O desejo está adormecido em você, mas basta se encontrar em situação semelhante para reavê-lo. Houve várias oportunidades, mas creio que é a primeira vez que faço isso: Dedico algumas palavras a quem, como nós, ainda se intriga com as últimas páginas.
            Contas; desenhos; números de telefone; mensagens escritas com caligrafia diferente daquela predominante nas páginas anteriores; listas de tarefas, às vezes concebidas de tal forma que somente o autor soubesse interpretar (pela pressa; a fim de manter segredo). Mas respondam-me: Somente eu pensei nisso? Isto é, respectivamente, se os cálculos foram utilizados em algum investimento ou projeto importante, qual era a piada por trás daqueles rabiscos toscos (um símbolo de cumplicidade; tímidas manifestações de preferência), o contato era profissional (e rendeu uma entrevista) ou pertencente a um mundo mais restrito (o encontro se realizou? A cerveja estava gelada? O jantar virou um casamento?), o espaço dado àquelas palavras estrangeiras foi escamoteado ou cedido (bem-vindo?), tudo se consumou (no devido tempo?) e, afinal, qual era a razão de tamanho sigilo (superstição, bisbilhoteiros como nós seriam afetados diretamente pelas informações ali contidas, medo da ridicularização por um metodismo assaz desnecessário, singela vontade de brincar com a situação)? Talvez eu seja um lunático (na verdade, uma pessoa sincera demais).
Eu poderia muito bem tranquilizar este sujeito parecido comigo, dizendo a ele que, diferentemente de todas as outras coisas que ele viu em outras últimas páginas afora, o que está diante dele para por aqui: É apenas uma consolação, uma palmada no ombro, uma forma de reconhecer seu trabalho árduo de encontrar alguma coisa onde, aparentemente, não se pode achar coisa alguma (o que constitui uma grande mentira – transcrevi este texto da última página de um caderno; todo ponto final, como aquele que sucede o fecha parêntese adiante, é dissimulado).
Por razões desconhecidas e cujas possibilidades nos cansam de tão incontáveis, nós, exploradores (de necrópoles de ideias em gestação interrompida – o que estava lá já aconteceu ou foi esquecido para sempre), somos provocados a contemplar uma obviedade em todas as nossas buscas: Todo fim, na verdade, reunia uma porção de recomeços. O fim e o começo são apenas coisas da nossa imaginação: Uma história puxa outra e assim é com uma miríade delas, exceto com aquelas que ainda não foram contadas. 
E por que não sanar aquela dúvida: Será que a caneta pegou?

CONSULTAS FALIDAS